Cláudio Bettega - publicitário, poeta e ator - assina este web log em que comenta teatro, cinema, política, cotidiano em geral e ainda publica de quebra uns poeminhas.
Sexta-feira, Junho 29, 2007
mudei de espaço. agora estou no
http://www.claudiobettegaemcena.blogspot.com
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 2:15 PM
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Cansei. Há dias não leio a parte de política da Folha de S.Paulo nem da Gazeta do Povo, os dois jornais que assino. Minha coluna preferida de política deixou de ser a do Clóvis Rossi, agora é a do Zé Simão, aliás nosso melhor cronista político e social. O Jabor parei também de ouvir na CBN. É tanta coisa acontecendo, tantos escândalos, tanta sacanagem, que me esgotou o saco de acompanhar a política brasileira e até a mundial. Prefiro reler os diálogos de Platão, O Príncipe do Maquiavel, vários filósofos, romances, poesia, do que perder em torno de uma hora diária lendo sobre uma política que não tem arte, só mutreta (ou essa mutreta seria a verdadeira arte da política?). Nesta semana, me dediquei só a decorar o texto do curta metragem “Patrulha”, dos alunos de cinema digital do Centro Europeu, no qual farei uma participação. Semana que vem serão as gravações, e dia 08 tenho também uma apresentação teatral no Pé no Palco, na qual encenaremos esquetes que criamos no improviso. Prefiro
a minha verdadeira arte. E os senadores corruptos que se fodam.
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 10:11 AM
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Segunda-feira, Junho 11, 2007
do fundão do baú
Às vezes dá na cabeça da gente
Assim, meio que de repente
Uma vontade de escrever
E botar para fora o que nos faz perecer
Serpenteando com palavras novas formas
Sem se preocupar com muitas normas
Produzir sonhos em forma de poema
Ou expor aquí e alí um novo problema
Ou então quem sabe ainda
Propor aos distantes nova vinda
Entrar com todos em congraçamento
Mas se não der, apenas lamento
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 1:49 PM
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Quinta-feira, Maio 03, 2007
É com talento que
se vence o
tempo,
produz-se o
invento,
mata-se a
pasmaceira e se
muda o
comportamento.
É com talento que
se sobe ao
palco,
seja ele real ou
metafórico,
seja para se encenar
um drama ou declamar
um poema eufórico.
É com talento que um
mambembe qualquer
vive, passa a ser
estrela e nos
transfere a
mambembice.
Foi com talento,
modéstia às favas, que
compus este breve
momento de poesia,
acabando com um
tormento na minha
cabeça, que nada tem de
vazia.
em 03.05.2007, by cláudio bettega
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 3:07 PM
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meu tato
perdeu o
contato
com seu corpo
perfeito
agora estou aqui
perdido
sem motivo
pra continuar
vivo
preciso de você
de sua carne
de sua psique
não quero meu amor
desfeito
em 02.05.2007, by cláudio bettega
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 11:15 AM
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Segunda-feira, Abril 16, 2007
descarto de cara
de vez
este poema
que mal ainda
se fez
mas sei que
já declara
minha insensatez
meu medo
minha embriaguez
quero uma palavra
forte
que direcione
meu norte
não quero firulas
que só externam
loucuras
amarguras
quero a lucidez
quero a minha
cura
em 09.01.2007, by cláudio bettega
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 12:25 PM
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Terça-feira, Março 27, 2007
Estou vendo pouca coisa do festival. Quinta-feira 22, vi " Atletiba - A Comédia", do grupo Saltimbancos, em que já trabalhei. Na sexta 23, "A Colônica Cecília", gostei muito. Sábado 24, "Rumo à Terra", dos meus professores do Pé no Palco, textos de Walt Whitman interpretados pelos gurus caracterizadops como bufões. Verei ainda "Bobos de Shapespeare" e vou esperar o que mais pintar e o dinheiro der.
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 4:22 PM
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como pelas beiras
o alimento da
minha poesia
das minhas veias
escorre
sangue negro e
gelado
sou apenas
um perdido
um alienado
nutro o amor
bandido
pelo mundo
letrado
mas sou mais um
poeta
sem talento
pouco sei
inventar
aqui nesse meu
movimento
acho melhor largar
a caneta
fechar o caderno
e me esconder
em algum
inferno
by cláudio bettega, em 17.07.2005
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 4:14 PM
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Segunda-feira, Março 12, 2007
Estupro com minha boca
tua boca batom luz néon
meu tato te penetra
te sinto completa
acaricio no teu ouvido
um poema
que te trema
na hora perfeita
do amor que a gente ajeita
Sussurros viram gemidos, depois
gritos lascivos
nossos humores se misturam
perduram pra sempre vivos
by cláudio bettega, em 11.03.2007
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 3:53 PM
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Quinta-feira, Março 08, 2007
dia internacional da mulher? bah, todo dia é dia dessa criatura maravilhosa!!!!!!
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 4:21 PM
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Terça-feira, Fevereiro 27, 2007
claudio, cara, andando na praia sem rumo, na beira do mar, uma noite
linda,
um céu estrelado e sem nuvens. tive uma inspiraçao, n sei se a
aproveitei
como devia, mas ai vai oq eu consegui:
Teu nome no papel
um pedaço de céu...
é saudade
Teu nome no papel
agora rasgado
pedaço de céu escondido
pelo arranha-céu da cidade
teu nome no papel
desamassado
lembrança boa vem a tona
"o inimigo mora ao lado"
o retrato repousa
na cabeceira da cama
- calado -
teu nome no papel
ferid com ódio
mas colado
a esperança de um futuro
iprevisivél, inesperado
pedaço de céu impossivel
- céu nublado -
essa outra é a letra de um blues enorme q eu fiz, espero q vc goste:
VELHO PENSAMENTO
hoje cedo a chuva foi de sangue
hoje a tarde de suor
inundando toda a rua
com tristeza e discórdia
o sol do seu sorriso
não invade a tempestade
o brilho do teu olho
não adentra na cidade
a esperança agora escoa
pelos boeiros afora
o esgoto esta repleto
de podridão agora
não tem como segurar
esse choro que outrora
se engolia a tardinha
mas que faz-se forte agora
que eu tive a recaida
não sei como sustentar
a alegria que outro dia
me fazia gargalhar
na bebedeira com amigos
você pode blasfemar
fala besteira e piadas
mesmo se não agradar
tocar rock todo o dia
pode até desafinar
mas se bate a tristeza
não tem como desviar
um olhar simples e triste
que insiste em afetar
esse amor que invade o peito
é dificil suportar
isso tudo por um dia
mas eu sinto em lhe enformar
que todo esse sentimento
em ódio irá se transformar
se não tomar muito cuidado
e a saudade não matar
não aguento muito tempo
mais pensando em você
se oque tenho é um pensamento
e nada me faz esquecer
vem de noite ao dia claro
chega tarde a madrugada
some cedo o sol nascente
mas a lua é prateada
o seu corpo claro e quente
alvo do meu desejar
seu labio avermelhado
só pra me desconcentrar
é lindo o teu jeito
calmo e ensinuante
mesmo tendo a pureza
estampada no semblante
te revelo as fraquezas
desse triste ser errante
te explico a beleza
que existe em ser amante
mas se isso não mudar
tudo aquilo que sentia
tudo bem, agora eu
ja te disse oque queria
mas você não pode ouvir
e nem sequer compreendeu
e aquele sentimento
acho que apenas se perdeu
com a dor profunda e forte
que rasgou tudo aqui dentro
mas oque me resta agora
senão um velho pensamento.
claudio, eu sei que é grande, redundante e de rima pobre, mas espero
que vc
goste, abraço e até a proxima
Mário Alberto Schafer
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 1:54 PM
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Quinta-feira, Fevereiro 08, 2007
Meu amigo ator, dramaturgo e acadêmico de letras
Gabriel Dória Rachwal deu seu parecer sobre meu livro de poemas"Busca".
Sentimentos transbordam dos poemas. O aclamado poeta-engenheiro João Cabral de Melo Neto sofreria revoluções intestinais caso pudesse entrar em contato com os poemas de Cláudio Bettega. O
eu aparece, sem rodeios, em algo em torno de 99% dos poemas. Sem medo de ser tachado de sentimentalóide o poeta coloca seu coração pra pulsar a menos de um palmo da fuça do leitor. O poeta não faz isso sem se defender, afinal é exposição demais em tempos ferozes como o nosso. Pra chorar e falar despreocupadamente hoje em dia, só mesmo marcando consultas psicoterapêuticas. A defesa que o poeta encontra é a auto-crítica. O livro está recheado de poemas que questionam o seu próprio fazer poético. É possível encontrar, até mesmo, um poema inteiro denegrindo a poesia:
"poesia vadia
pedaço de carne destroçada
detrito-excremento do intestino mental
pilha de palavras bagacentas (...)"
Outra característica dos poemas é trazer o leitor para perto do ato da criação poética. As rimas, muito presentes, vão embalando e fazendo a leitura ser fluida. No meio dessa fluidez o poeta fala sobre como faz, o que faz e
para quê faz. Aqui vale a pena citar o poema inteiro, ele ilustra bem essa tensão entre expor-se e, ao mesmo tempo, defender-se:
não estava muito afim
de escrever um poema agora
mas a pena me chama
sentimentos me chamam
a vida me chama
para desovar
verdades
sensações
vontades
expressar o que está escondido
feito pão amanhecido
transformar tudo em arte
poesia que faz parte
do movimento do mundo
do tempo
de cada segundo
abraçar a palavra
compor frases, versos,
desarmar a trava
de conceitos dispersos
plantar beleza
colher maravilhas
pra que enfim eu deixe
de me sentir uma ilha
Os dois últimos versos explicitam/expõem o
por quê escrever: o poeta quer se integrar, ainda que a sua maneira, ele busca uma integração. Não quer o estado de ilha e a escritura-catártica do poema parece aliviar o peso incômodo de se sentir uma
ilha. Os demais versos falam do
como escrever, é o poeta em sua oficina, expondo "o que está escondido". Somos levados a conhecer a intimidade do processo criativo. O poeta se faz acompanhar por seu leitor no ato de escrita. Ato este que sempre privilegia a livre intuição, o sentimento, o sentir, deixando de lado a razão. Um emblema dessa preferência é a negação de formas rígidas e dos metros, preferindo irmanar-se da tradição de poesia marginal. O que não nos impede de encontrar um soneto na página 68 e ver que o verso livre não é um dogma e que se o poeta achar que deve usar uma forma clássica, não verá problemas. As contradições que a razão pode detectar não são levadas em conta. "sentimentos me chamam" é o verso que lemos.
Na página 34 temos um poema que começa de supetão: "vou derramar / a substância / da inconstância". Como vários outros, este poema começa rápido, tem rimas e fluidez, ninguém conseguiria dizer que é um poema racional. No entanto, lá pro fim do poema, parece que um lampejo de racionalidade afeta o eu-lírico que, por um instante, fica reflexivo e duas vírgulas quebram o ritmo embriagado do poema. Por três versos temos um questionamento racional:
"e, enfim, nem
sei porquê
disse tudo isso aí"
Voltando ao ritmo mais fluido o poema já dá uma possível resposta:
"talvez para fazer
poesia
agora
aqui"
Dada a resposta o livro segue em frente. Os obstáculos não têm força para cessar o surgimento de mais versos e poemas. Bettega é pura intuição. Seu senhor são as vontades e as pulsões. Por mais que haja rastro de imperfeição e a razão possa questionar, Bettega faz prevalecer a vontade. Os poemas eróticos mostram bem isso. Não há meias palavras, o desejo aparece com a força do presente do indicativo: "te penetro". É o desejo realizado em tempo real: no tempo da escrita, no tempo da leitura. Enfiar a cara no livro, seja pra ler, no caso dos leitores, ou para escrever, no caso de Bettega, é a chance de não ver a realidade a que um desses "anjos frustrados" (vide terceiro poema) nos destinou, e ter alguns bons momentos em meio às realizações que o papel permite.
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 1:20 PM
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anoitece;
o grito da angústia
embutido em minha mente
ecoa por minha existência,
dominando ações e sentimentos.
meus olhos latejam, meu corpo treme,
a cabeça inteira sofre.
quero e quero sentir algo poderosamente
mais suave,
que me alimente de um pouco
de alegria;
busco uma reflexão, um inventário de pequenas
felicidades guardadas em alguma lembrança...
tudo em vão.
ajeito-me então no leito e,
assim como lá fora,
anoiteço.
by cláudio bettega, em tempos idos
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 10:50 AM
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Terça-feira, Janeiro 30, 2007
televisão na cara
os olhos ardem
a cabeça vaza
by cláudio bettega, em tempos idos
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 10:09 AM
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Segunda-feira, Janeiro 29, 2007
quero escrever um poema amigo
que me dê abrigo
mas não quero só rimas fáceis e versos curtos
como ando fazendo ultimamente
quero, lentamente, esgarçar o pensamento cheio de
tormento
e racionalizar tudo aquilo que me faz
pirar
veja só, rimas já começo a cometer
e os versos encolher...
não!!, quero derramar um depoimento robusto,
quero, sem susto, declarar meu amor pela vida e pela
poesia, pelo teatro e pela alegria, pelas mulheres e pela
filosofia
meu canto é rouco e minha poesia tosca,
mas tento expressar meu sentimento da maneira que puder,
seja na tela, no papel ou em alguma vidraça fosca,
pichada com tinta ou batom e depois destruída com um puta
grito fora do tom
caracas, esse poema tá mesmo ficando uma merda...
acho que minha vida é lerda
porque não consigo fazer aquilo a que me proponho,
vivo neste limitamento medonho,
meio perdido em sonhos e fantasias,
embora ame, como já disse, este pedaço de existência que me cabe, afinal é uma experiência cheia de claridade
veja só, eu aqui batucando teclas na maciota, enquanto
tem gente morrendo por causa do George Bush idiota
chega... hoje deu pra bola...
e veja como minha vida é boa,
daqui a pouco vou comer comida, e
não cheirar cola...
em 29.01.2007, by cláudio bettega
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 12:17 PM
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Domingo, Janeiro 21, 2007
uma migalha, um gole,
um canalha de um
porre
minha vida
perdida
na esquina
meu caminho
tortuoso
trôpego
nervoso
meu corpo
largado
desesperado
amedrontado
meu sono
abafado
meu olho
molhado
pelo choro
rasgado
minha sina
só merdas de rimas
em 19.01.2007, by cláudio bettega
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 2:47 PM
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uma nova versão para o
Poema de Tigres, de Julio Almada
01
As garras são meus olhos,
Esses que eram de qualquer outro,
E na ousadia de minha madrugada
Os instalei de súbito em meu corpo.
Olhos renascidos de não morrer
Onde a morte lhes visita a gravidade.
02
Instantâneos e profundos como a saudade:
Noturna matinal arenosa e incômoda.
Lobos aves folhas e olhar de um poço,
Labirinto circular de meus passos felinos.
O tigre dos gritos do meu corpo
Arrasto e não ouvem. Desfolho
Sem saber o intento no meu rosto.
O Meu Sorriso não tem dizer.
03
Tigres de vôos não vistos,
Não há como ver a altura do imprevisto;
Nem como fugir a fuga dos que tem sina;
Nem como ser luz do que perdeu a vista,
Sem ser brilhar e entorpecer.
Os designados nunca são inteiros
Carregam em seus passos, pés dilacerados:
as pernas e os fatos e as dores.
04
Não há destino exato para a semente no deserto.
Para implacável incerteza desperta.
Para o doer de tigres que desperto.
No tigre dói a não investida,
E assim o tempo cria em mim suas dores.
05
Se persigo veloz tudo que quero:
O fel tenho do não ter e das vontades;
Se passeio ronda a fera como fera,
A vontade que era grande me dilacera.
Sedento da fonte que não seca,
Faminto nas raízes da terra.
06
Quebro a armadilha do labirinto:
Inimigo do transitar das presas,
A prisão do desejo me encarcera.
Os gemidos solitários do secar das ervas:
São explosões inimagináveis do que se queima,
Fogo: angústia nas garras - olhos,
Captura a dor e a corrida do que vejo.
07
Não chamarei de tristes as afiadas unhas,
Nem de solitárias as vítimas da caçada.
08
Há os que praguejam seu destino.
Há os que o destino afaga e cala.
Há no círculo de luz a funda vala
Da fogueira extasiada de algo haver faltado:
Dois dias dois sábados dois olhos,
Ou a mágoa não ter evaporado,
Ou a viagem interceptada de lábios
Que queimariam a febre da fogueira.
09
Quebro nesta tarde com meu correr de tigre:
O braço da sina que me abraça.
Deixem-me por entre flores negra,
Por entre minhas não suavidades:
O tigre que sou - Só garras.
O homem que sou - Só olhos.
Julio Almada, Hora Tenaz
e outro poema
Absinto
Amanhecer sem madrugada
Barco de fogo na tempestade
Sol eclipsado
Intimo grito de ecos
Nau de um nauseado
Toque rugoso da imensidade
Órbita difusa no nada.
Julio Almada, Hora Tenaz
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 2:22 PM
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Sábado, Janeiro 20, 2007
quero gritar a
plenos pulmões
voz
coração
a poesia da minha
razão ou da
emoção
quero respirar o
ar
da alegria
da maestria
até
da simetria
quero a claridade
a caridade
quero um amor
saboroso
um prazer
mais que
gostoso
quero ser
eu mesmo
mesmo que
perdido
quero o
mel
esquecido
o saber
proibido
quero o sentimento
soberano
quero ser
humano
em 19/20.01.2007, by cláudio bettega
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 3:11 PM
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Sexta-feira, Janeiro 19, 2007
a câmara dos deputados deveria virar uma câmara de gás...
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 10:01 AM
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Meu maior tesão
é te ver cheia
de tesão
por me dar
tesão
Meu maior amor
é te ver cheia de
vontade de me
amar
repleta de amor
Minha única dor
é saber que
vou morrer e
por isso
te perder
em 30.03.2005,
by cláudio bettega
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 9:37 AM
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Quarta-feira, Janeiro 10, 2007
Espalhou-se pela noite e pisou seus passos por terrenos esparsos. Soltou o grito das perdidas aflições e perdeu-se por entre as cachaças dos mendigos. Rendidos, seus olhos admiraram as luminárias escuras e as putas ordinárias. Entrou pela primeira porta de bar que encontrou e devagar no balcão se sentou. Pediu uma cerveja gelada e logo viu uma loira delgada. Puxou um papo amigo e seu lábio no lábio dela pediu abrigo. Enxugou o último gole e saiu pela calçada abraçado à misteriosa mulher e à quente madrugada. Ou vice-versa.
em 10.01.2007, by cláudio bettega
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 5:05 PM
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Quero tua saliva
ativa
se misturando
à minha saliva
teu peito
em flor
encostado
a meu peito
Quero teu ácido
fervente
envolvendo
meu falo quente
teu cabelo
perfumado
escorrendo pelo
meu rosto suado
Quero teu gemido
ecoando
meu gemido
teu sentido
de prazer
num espasmo
desoprimido
Quero teu corpo
se fundindo
a meu corpo
no momento
do nosso orgasmo
em 10.01.2007, by cláudio bettega
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 1:00 PM
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Quarta-feira, Janeiro 03, 2007
mais um poeta encontrado nas entranhas curitibânicas, o Mário Alberto Schafer.
BREVE BRISA
Brisa brisa, brisa leve
Nela o vento caminha
Brisa brisa, brisa breve
Seja breve mas seja minha
Que a brisa verta
Num forte vendaval
Vento vento, brisa breve
Essa tarde quis teu mau
Breve brisa, forte vento
Devaste o mundo
E meu tormento
Amo o vento
Odeio a vida
Anseio o tempo
Da partida
Não agüento essa vida
Breve brisa, vento forte
Seja rápida
E traga a morte.
SEM TÍTULO
Por mais rico que seja
Mais sabedoria que tenha
Na sala mais escura veja
E à insignificância me retenha
Não vou achar
Por mais sangue que derrame
Ou lágrimas enxugue
Pelo mundo clame
No universo procure
Não vou achar
Pois que a ferida inflame
Que o sangue não coagule
Que tudo exploda
Do precipício pule
Não vou achar
Poço de tristeza
Que não acaba mais
- Na utopia a certeza?-
Mas já tanto faz...
Não vou achar
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 2:26 PM
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o último poema do ano passado...
Dentro do silêncio
procuro o perdido
tempo
que me faltou
em tempos idos.
Meus olhos
tentam penetrar o
escuro e meus pés,
combalidos,
querem o descanso
merecido.
Me desanimo por
nada encontrar,
solto um grito
indefinido
quebrando o silêncio,
que faz do meu
tempo perdido
um tesouro
protegido.
26.12.2006
... e o primeiro deste ano, by cláudio bettega
Concedo-me a palavra
neste solene momento
em que a poesia nasce
como forte movimento,
determinando que eu
esgarce no papel
meu sentimento.
Atendo seu pedido
e a ela já estou vendido -
minha amiga, minha obra,
minha cura,
poesia maravilhosa,
pura graça pura
01.01.2007
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 2:21 PM
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Quarta-feira, Dezembro 20, 2006
Abaixo relação com endereços de e-mail e telefones dos bandidos. Vamos entupir a caixa postal da gangue!
No SENADO:
Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado
E-mail: renan.calheiros@senador.gov.br
Tel.: (61) 3311-2261
Ney Suassuna (PB), líder do PMDB no Senado
E-mail: neysuassun@senador.gov.br
Tel.: (61) 3311-4345/4346
Demóstenes Torres (GO), primeiro vice-líder do PFL
E-mail: demostenes.torres@senador.gov.br
Tel.: (61) 3311-2091 a 2099
Tião Viana (PT-AC), primeiro vice-presidente do Senado
E-mail: tiao.viana@senador.gov.br
Tel.: (61) 3311-4546/1214
Efraim Moraes (PFL-PB), primeiro-secretário da Mesa do Senado.
E-mail: efraim.morais@senador.gov.br
Tel.: (61) 3311-2425 a 2429
Ideli Salvatti (SC), líder do PT no Senado
E-mail: ideli.salvatti@senadora.gov.br
Tel.: (61) 3311-2171/2172
Na CÂMARA:
Aldo Rebelo (PCdoB-SP), presidente da Câmara
E-mail: dep.aldorebelo@camara.gov.br
Telefone: (61) 3215-8015
Wilson Santiago (PB), líder do PMDB
E-mail: dep.wilsonsantiago@camara.gov.br
Telefone:(61) 3215-5534
Rodrigo Maia (RJ), líder do PFL
E-mail: dep.rodrigomaia@camara.gov.br
Telefone:(61) 3215-5308
Miro Teixeira (RJ), líder do PDT
E-mail: dep.miroteixeira@camara.gov.br
Telefone:(61) 3215-5272
José Múcio Monteiro (PE), líder do PTB
E-mail: dep.josemuciomonteiro@camara.gov.br
Telefone:(61) 3215-5458
Inácio Arruda, líder do PC do B
E-mail: dep.inacioarruda@camara.gov.br
Telefone:(61) 3215-5582
Arlindo Chinaglia (SP), líder do governo
E-mail: dep.arlindochinaglia@camara.gov.br
Telefone:(61) 3215-5706
José Carlos Aleluia (BA), líder da minoria
E-mail: dep.josecarlosaleluia@camara.gov.br
Telefone:(61) 3215-5856
Luciano Castro (RR), líder do PL
E-mail: http://www.camara.gov.br/lucianocastro
Telefone:(61) 3215-5401
Bismarck Maia (CE), vice-líder do PSDB
E-mail: dep.bismarckmaia@camara.gov.br
Telefone:(61) 3215-5622
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 10:40 AM
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Quarta-feira, Novembro 29, 2006
Semana passada e na anterior finalmente tive a oportunidade de estar com
Mário Bortolotto. Vi a peça em que monológa, "Kerouak", e na semana anterior uma peça de sua autoria em que contracena com outro ator, "Homens, Santos e Desertores". Não falarei dos textos, sou ruim pra isso. Sobre "Homens...", há excelente análise no blog do meu amigo poeta
Alexandre França.. Sobre Kerouak, e de resto toda a sua passagem por curitiba, há posts no blog do Bortolotto, linkado acima. Vou falar do ator, afinal estou estudando teatro. Cara, e que ator. Ouço muito nas aulas sobre fé cênica, sobre organicidade, sobre malícia do ator com a platéia, sobre foco... e o Bortolotto tem tudo isso. Preciso, pontuado, orgânico, focado, e com grande fé cênica. Calmo no ponto exato quando tem que ser, nervoso e com respiração precisa no momento certo em que isso é exigido. Fiquei feliz em apertar a mão do cara e agora ter dois livros dele, um de poemas e outro um romance. Preciso ainda ler as peças, mas isso com o tempo. O importante é que, depois de tanto tempo ter ouvido sobre ele e ter frequentado seu blog, finalmente vi seu trabalho.
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 2:23 PM
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Quarta-feira, Novembro 22, 2006
Estarei em cartaz com a peça "Dentro", no Pé no Palco (Rua Conselheiro Dantas, 20, esquina com João Negrão, defronte á Churrascaria Paiol), nos dias 1,2,3,8,9,10 de dezembro, às 22 horas. Ingresso a 5 reais.
TURMA TEATRO/CINEMA E O PROCESSO DE TRABALHO EM 2006
O início de nosso processo já apontava para a diferença que experimentaríamos. Começamos o ano com exercícios que buscavam a economia, já pensando em filmagens para cinema. Eles eram feitos em cantinhos, e os que assistiam ficavam ao redor, bem pertinho. Fazíamos também exercícios visando à linguagem teatral, dentro da proposta híbrida da turma. Em uma das aulas, fizemos um exercício que determinou nossos personagens: uma convivência criativa com um pano, dele criando um adereço, e o adereço pertencia ao personagem, que ali também se criava. Além da concepção de cada aluno, foram incorporados aos personagens frases, verbos e situações sorteadas alhures.
A partir daí, cruzamos inusitadamente esses personagens, cada um com mais um ou dois, e, usando elementos de improvisação, criamos cenas, ainda contidas, para a montagem de meio de ano, a peça "Museu de Teatro", na qual o público era convidado a transitar pelas diversas situações que se repetiam, vistas também de perto com uma iluminação feita por pequenas luminárias ou velas.
Chegamos ao segundo semestre e o diretor, com a ajuda dos alunos, começou a escrever um roteiro com cenas para as filmagens e também para a peça de fim de ano, algumas delas ainda inspiradas na montagem anterior. Não deixamos de lado a preocupação em determinar a pontuação da diferença entre as linguagens de teatro e cinema. Nesse novo texto, alguns personagens foram levemente modificados em sua concepção, outros criados para alunos que se incorporaram à turma no segundo semestre, e chegamos ao resultado final.
Para nós, foi um processo riquíssimo de aprendizagem de elaboração de personagens e de como conviver com as duas linguagens em momentos diversos e até mesmo com a intersecção entre elas.
Queremos agradecer imensamente ao diretor Alexandre Bonin e à escola Pé no Palco, que nos permitiram intensificar nosso amor pela arte de representar e de respeitar as diversidades.
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 11:51 AM
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Quarta-feira, Novembro 15, 2006
Etel Frota
apresenta o recital
Lyricas
a construção da canção
(Pré-lançamento do livro, no encerramento da III Feira do Livro de Curitiba)
participações mais-que-especiais:
Ana Cascardo Cris Lemos Fábio Hess Márcio Rosa
16/nov quinta feira 18:00 h
Praça Osório
Entrada Franca
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 10:16 AM
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Domingo, Outubro 29, 2006
Olhos engasgados pelo
choro rasgado
Coração aos pulos
quente em paixão
Cabeça perdida
no meio da
emoção
by cláudio bettega, em 29.10.2006
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 10:40 AM
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Sábado, Outubro 28, 2006
presidente: nulo
governador: requião
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 2:23 PM
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