Web log que atua no teatro, na poesia, no cinema, na política e no cotidiano em geral
Quarta-feira, Maio 31, 2006
Resisti o quanto pude. Mas a dor da criação me impunha impulsionar a mera caneta barata no papel sem luz nem um teclado a comandá-lo. Qualquer erro, minha função "delete" será um risco por sobre a palavra errada. Fico aqui pensando no quão chato será depois digitar este texto. E torço para que ele muito não se estenda. Mas seria isso possível? É possível controlar o desejo de se perder em qualquer noite já perdida dentro de qualquer bar, qualquer antro, qualquer canto cheio de (des)encanto? Os olhos que perscrutam outros olhos embaçados, outros olhos perdidos, outros olhos sem função... O pulsar, o emitir, transgredir a fo(ô)rma de qualquer respiro sincopado... Sinopses de absurdos que brotam de argumentos tolos, arremedos de frases que se querem criativas mas não abandonam a origem obsoleta.
Vai, caneta, vai. Tece a teia do enredo tosco, do regurgitar de vacuidades vocabulares. O mundo aí, em guerra e fome, e eu aqui, querendo que um poema um dia semeie a tempestade do amor à arte. A política em crise, a economia em crise, o homem em crise, e eu aqui. Estarei eu aqui em crise? Ou apenas derrubo o muro da paralisia para bem depor um sentimento roubado da minha própria alma encharcada de tédio? O quê vitamina a força do fraco? O quê enfraquece o eterno forte?
Palavra e sorte, campo de flores amarelas que exalam um "perfume" podre, de carniça. Que flores são essas? Que cheiro é esse? Onde foram parar os jardins infantes que decoravam quadros e lembranças? Apetrechos ignóbeis, heranças vacilantes. Os sábios não querem mais participar da transformação, hoje quem assume o poder são os pústulas. Meus amigos finalmente assumiram o poder. E se tornaram inimigos, assumiram o tom de farinha azeda do mesmo saco.
Vai, caneta, vai. Diga a que veio, preencha essas linhas de caderno barato. Caneta barata. Nem. Caneta brinde. Brindemos ao não. Brindemos ao nada. Brindemos ao mesmo. Brindemos ao sempre.
A escória perdida, sem chegada, sem nem ponto de partida. As janelas virtuais pigmentadas por luz vomitando as escrotices de linguagem pútreda. O Brasil (inter)ligado na mesma cagação.
E eu aqui. Interrompo meu quase dormir porque a caneta brinde me chamou. Chatuca. Agora tenho que ficar aqui, brincando de nada, em nada, pra nada.
Um lapso, um flerte, um interregno dentro do cotidiano de cada ano. E vem ano, e se foram anos.
23horas25minutos. Há um livro na cabeceira. Há um travesseiro e uma coberta. E há o dia seguinte, que já já vai invadir meu mundo. Os passarinhos começarão a sinfonia do amanhecer. (Puta merda, esse clichê me doeu, mas não pude evitar). E a brisa orvalhada da manhã trará um novo respirar. (E o pior é que tem gente que escreve textos e textos só calcados nesses clichezões). Sim, e eu, não seria uma construção genética de clichês? Clichês incrustrados nas células, no DNA? Clichês sincré(ô)t(n)icos da psicosociologia humana? Vai-te, chato. Melhor mesmo pegar o livrinho - outro amontoado de clichês - e calar-te. E amanhã a grita continuará sendo pela mudança do modelo econômico e pelo excesso de desemprego
Vai-te, chato. Cala-te e deita-te.
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 1:23 PM
Comments:
Terça-feira, Maio 30, 2006
Estou só
mato em goles rápidos
qualquer goró
mas, em verdade,
queria você
aqui comigo
me amando como amante,
como amigo
Estou só
e sinto na pele
no coração
a dor
da solidão
Me resta
a poesia vadia
que verto
em qualquer noite
vazia
by cláudio bettega
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 10:14 AM
Comments:
Domingo, Maio 28, 2006
...eu sou nuvem passageria
que com o vento se vai
eu sou como um cristal bonito
que se quebra quando cai...
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 2:52 PM
Comments:
Sexta-feira, Maio 26, 2006
DESCOBERTA
Depois da poesia, o teatro foi minha maior desoberta. Comecei no Pé no Palco em março de 2004, e o vírus, que não é clichê, é realidade, contamina mesmo. Tive um ano gostoso lá, e tentei fazer em paralelo um módulo de três meses no ACT, mas minha coluna doente não permitiu a intensividade. Em janeiro de 2005, fiz um curso intensivo no Teatro Saltimbanos, e acabei ficando por lá, concomintantemente ao Pé no Palco. A coluna sofre, mas vou levando. Gosto das duas esoolas igualmente, são métodos diferentes, mas ambos contribuem para meu aprendizado. A vantagem do Saltimbanos é a montagem constante de peças, todas escritas pelo diretor Treat Serpa. Hoje, sexta, 26, farei a última apresentação na peça
Será Que eu Sou, uma comédia Gls, que deve depois rodar festivais. O próximo projeto é a peça
Lendas da Internet - A Comédia, na qual contribuí com algumas idéias. No Pé no Palco, faço uma turma que foca interpretação pra teatro e cinema. Estamos criando alguns personagens que devem ser usados na apresentação de meio de ano. OTEATRO É MEU PASTOR, A ARTE NÃO ME FALTARÁ.
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 10:59 AM
Comments:
Quinta-feira, Maio 25, 2006
SENTINELAS DA NOITE
Escondo do alcance dos seus curiosos olhos a escala dos sentinelas que vigiam meus segredos noturnos. Mas posso revelar-lhe que eles armam-se de espinhos e venenos - nunca armas de fogo, detesto-as, pois barulhentas. As defesas que agridem silenciosamente me são mais atraentes. E, também, além da rusticidade, espinhos - vários ! - e venenos têm um quê de teor sádico que me deixa excitado.
Então. Guardo-me assim à noite. Nada de estranhos querendo saber dos meus segredos, nem de estranhos querendo saber a respeito de quem guarda meus segredos. Acho o cúmulo ter que ficar dando satisfações das minhas coisas a certos parasitas doidivanas.
Quanto a qualquer crime que meus sentinelas possam vir a cometer com o uso, mais do que justo, das armas já citadas - paciência! Crime maior, aos olhos do meu julgamento e escala de ilibados valores, é a desmedida intromissão em vida alheia.
Morreu, compra-se caixão, chama-se a família, faz-se o velório, enterra-se. Aqui jaz uma pessoa extremamente inconveniente; passou a vida preocupando-se com a das outras pessoas e esqueceu-se de vivê-la. Na missa de sétimo dia, reza-se um Pai Nosso e pronto. A alma está limpa. Tanto a da criatura curiosa, quanto a minha que, através de sentinelas e espinhos e venenos, por uma causa nobre de defesa de segredos noturnos, cometeu pequeno crime.
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 1:05 PM
Comments:
Domingo, Maio 21, 2006
Não quero mais migalhas, caroços,
réstias de alegrias que não são
minhas, que não me comovem.
Persigo meu próprio ser,
quero encontrá-lo e dar-lhe condições a
conquistar emoções próprias.
A vida me boicota, mas os
sonhos podem-se tornar realidade,
para que os caminhos sejam limpos,
e alegrias brotem para dono certo.
Mente em movimento, confusão, procura,
idéias que se querem extravasar em
termos compostos, lapidados e belos;
alegrias, amores, realizações,
tudo virá a partir do dia
em que sonhos e realidade
se fundirem em
harmonia.
em 29.09.2000, by cláudio bettega
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 11:41 AM
Comments:
Terça-feira, Maio 16, 2006
Os homens continuam matando outros homens. Minha arma em ataque continua sendo a poesia.
a letra pulsante
do meu verbo
veio te falar do
meu amor
escondido em minhas
veias
conservas de calor
a jorrar agora em sangue ardente
e tatuar qual ferro quente
o meu nome no teu
seio
no teu ventre
no teu meio
movimento que me faz
procurar em ti
a paz
sentimento que nos une
gole em gole
nos satisfaz
16.05.2006
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 10:56 AM
Comments:
Segunda-feira, Maio 15, 2006
Essas invasões de bandidos no final de semana bem poderiam ter sido empreendidas no Planalto Central...
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 10:39 AM
Comments:
Quinta-feira, Maio 11, 2006
cantar
e ouvir a voz que soa
e ecoa
na boa
pensar
e controlar o movimento
da mente
pacientemente
amar
e fazer verter do
coração
o sentimento
ao batimento
bem lento
viver
e suportar os sofrimentos
desdobramentos
lutando por encantamentos
em 15.12.2000, by cláudio bettega
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 10:27 AM
Comments:
Segunda-feira, Maio 08, 2006
Será que se o tráfico brasileiro resolver pagar menos pela coca da Bolívia o índio vai ficar na pasmaceira que nem o Lulinha?
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 11:15 AM
Comments:
Quinta-feira, Maio 04, 2006
Olá povo!!! Amanhã, sexta-feira, dia 05, volta em cartaz no
Teatro Saltimbancos (Rua Comendador Macedo, 330 , Curitiba), às 21hs, a comédia
Será Que eu Sou, escrita e dirigida por Treat Serpa, em que faço uma participação. E a programação do teatro continua no sábado, tb às 21 hs, com
Histórias Infantis para Adultos. Prestigie o teatro de Curitiba em todas as suas vertentes!!!!!
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 2:18 PM
Comments:
Quarta-feira, Maio 03, 2006
ô Garotinho de bosta, ninguém precisa fazer greve de fome contra a corrupção. Já se passa fome graças a idiotas como você!!!!
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 11:17 AM
Comments:
a última
vertigem
queria me devolver a
meu país de
origem,
mas a sílaba do
meu pulsar
fraca pulsou e
assim me
negou a
possibilidade de acreditar
que eu receberia
algum olhar saudoso
dando boas-vindas
- fiquei então aqui,
estrangeiro nesse
hemisfério,
revelando aos
verdadeiros amigos
meus mistérios
by cláudio bettega, em 03.05.2006
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 10:23 AM
Comments:
Segunda-feira, Maio 01, 2006
fui encarregado de relatar a aula do dia 18 no pé no palco
PÉ NO PALCO ATIVIDADES ARTÍSTICAS
RELATO DA AULA DO DIA 18.04.2006 DA TURMA DE CINEMA E TEATRO
POR CLÁUDIO BETTEGA
O frio envolve o estúdio 1 do Pé no Palco. Corpos deitados no tablado. A magia vai começar, e com ela, o frio vai ser afastado. Vísceras em estado de espera para o ritual sagrado. Minha coluna defeituosa não permite fazer todos os movimentos necessários. Mas a energia do grupo me auxilia, e também começo a entrar no processo de transmutação para o mágico. Entrega, vida, delícia. Expressões, trocas de olhares e emoções. A busca pelo inaudito contido em cada célula do corpo teatral. A atmosfera da arte plena, da existência tomada pelo fazer brincante, pela alegoria. No fundo de cada olho, uma vertente da existência humana durante o processo da criação, mas com a característica única, a individualidade de cada ator e atriz. Sim, somos atores e atrizes no palco. Caminhamos com o foco à nossa frente e imaginamos o público a nos prestigiar. Fazemos de nossas vidas minas produtoras de outras vidas - garimpamos nossos personagens e administramos diferentes sentimentos e emoções num paredão/usina.
Usina que também processa rapidamente pensamentos que brotam de apenas uma palavra - que pode ser primavera, riacho, sonho - e se transformam em artilharia intermitente de monólogos espontâneos, onde até Edward Mãos-de-Tesoura esteve presente. Finalmente, nos doamos às características sugeridas num pedaço de papel depois de uma convivência criativa propulsora, e atuamos em cenas breves, mas intensas.
A aula está acabando. Mas a fervilhante sensação fica viva em cada glóbulo de nosso sangue de artistas, que já afastou o frio, assim como o incenso já afastou qualquer espírito mal do espaço, e assim poderemos voltar revitalizados na próxima semana para o ambiente sagrado. Mas enquanto esse momento não chega, a rua agora é meu palco. Caminho meus passos pesados de ator aterrado com a pompa digna de cereja do bolo, que enxerga mais longe o limiar entre a realidade pútrida e a realidade que podemos criar num momento de paixão. Num momento resumido em uma única palavra - TEATRO.
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 5:07 PM
Comments: