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Terça-feira, Janeiro 30, 2007
televisão na cara
os olhos ardem
a cabeça vaza
by cláudio bettega, em tempos idos
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 10:09 AM
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Segunda-feira, Janeiro 29, 2007
quero escrever um poema amigo
que me dê abrigo
mas não quero só rimas fáceis e versos curtos
como ando fazendo ultimamente
quero, lentamente, esgarçar o pensamento cheio de
tormento
e racionalizar tudo aquilo que me faz
pirar
veja só, rimas já começo a cometer
e os versos encolher...
não!!, quero derramar um depoimento robusto,
quero, sem susto, declarar meu amor pela vida e pela
poesia, pelo teatro e pela alegria, pelas mulheres e pela
filosofia
meu canto é rouco e minha poesia tosca,
mas tento expressar meu sentimento da maneira que puder,
seja na tela, no papel ou em alguma vidraça fosca,
pichada com tinta ou batom e depois destruída com um puta
grito fora do tom
caracas, esse poema tá mesmo ficando uma merda...
acho que minha vida é lerda
porque não consigo fazer aquilo a que me proponho,
vivo neste limitamento medonho,
meio perdido em sonhos e fantasias,
embora ame, como já disse, este pedaço de existência que me cabe, afinal é uma experiência cheia de claridade
veja só, eu aqui batucando teclas na maciota, enquanto
tem gente morrendo por causa do George Bush idiota
chega... hoje deu pra bola...
e veja como minha vida é boa,
daqui a pouco vou comer comida, e
não cheirar cola...
em 29.01.2007, by cláudio bettega
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 12:17 PM
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Domingo, Janeiro 21, 2007
uma migalha, um gole,
um canalha de um
porre
minha vida
perdida
na esquina
meu caminho
tortuoso
trôpego
nervoso
meu corpo
largado
desesperado
amedrontado
meu sono
abafado
meu olho
molhado
pelo choro
rasgado
minha sina
só merdas de rimas
em 19.01.2007, by cláudio bettega
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 2:47 PM
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uma nova versão para o
Poema de Tigres, de Julio Almada
01
As garras são meus olhos,
Esses que eram de qualquer outro,
E na ousadia de minha madrugada
Os instalei de súbito em meu corpo.
Olhos renascidos de não morrer
Onde a morte lhes visita a gravidade.
02
Instantâneos e profundos como a saudade:
Noturna matinal arenosa e incômoda.
Lobos aves folhas e olhar de um poço,
Labirinto circular de meus passos felinos.
O tigre dos gritos do meu corpo
Arrasto e não ouvem. Desfolho
Sem saber o intento no meu rosto.
O Meu Sorriso não tem dizer.
03
Tigres de vôos não vistos,
Não há como ver a altura do imprevisto;
Nem como fugir a fuga dos que tem sina;
Nem como ser luz do que perdeu a vista,
Sem ser brilhar e entorpecer.
Os designados nunca são inteiros
Carregam em seus passos, pés dilacerados:
as pernas e os fatos e as dores.
04
Não há destino exato para a semente no deserto.
Para implacável incerteza desperta.
Para o doer de tigres que desperto.
No tigre dói a não investida,
E assim o tempo cria em mim suas dores.
05
Se persigo veloz tudo que quero:
O fel tenho do não ter e das vontades;
Se passeio ronda a fera como fera,
A vontade que era grande me dilacera.
Sedento da fonte que não seca,
Faminto nas raízes da terra.
06
Quebro a armadilha do labirinto:
Inimigo do transitar das presas,
A prisão do desejo me encarcera.
Os gemidos solitários do secar das ervas:
São explosões inimagináveis do que se queima,
Fogo: angústia nas garras - olhos,
Captura a dor e a corrida do que vejo.
07
Não chamarei de tristes as afiadas unhas,
Nem de solitárias as vítimas da caçada.
08
Há os que praguejam seu destino.
Há os que o destino afaga e cala.
Há no círculo de luz a funda vala
Da fogueira extasiada de algo haver faltado:
Dois dias dois sábados dois olhos,
Ou a mágoa não ter evaporado,
Ou a viagem interceptada de lábios
Que queimariam a febre da fogueira.
09
Quebro nesta tarde com meu correr de tigre:
O braço da sina que me abraça.
Deixem-me por entre flores negra,
Por entre minhas não suavidades:
O tigre que sou - Só garras.
O homem que sou - Só olhos.
Julio Almada, Hora Tenaz
e outro poema
Absinto
Amanhecer sem madrugada
Barco de fogo na tempestade
Sol eclipsado
Intimo grito de ecos
Nau de um nauseado
Toque rugoso da imensidade
Órbita difusa no nada.
Julio Almada, Hora Tenaz
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 2:22 PM
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Sábado, Janeiro 20, 2007
quero gritar a
plenos pulmões
voz
coração
a poesia da minha
razão ou da
emoção
quero respirar o
ar
da alegria
da maestria
até
da simetria
quero a claridade
a caridade
quero um amor
saboroso
um prazer
mais que
gostoso
quero ser
eu mesmo
mesmo que
perdido
quero o
mel
esquecido
o saber
proibido
quero o sentimento
soberano
quero ser
humano
em 19/20.01.2007, by cláudio bettega
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 3:11 PM
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Sexta-feira, Janeiro 19, 2007
a câmara dos deputados deveria virar uma câmara de gás...
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 10:01 AM
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Meu maior tesão
é te ver cheia
de tesão
por me dar
tesão
Meu maior amor
é te ver cheia de
vontade de me
amar
repleta de amor
Minha única dor
é saber que
vou morrer e
por isso
te perder
em 30.03.2005,
by cláudio bettega
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 9:37 AM
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Quarta-feira, Janeiro 10, 2007
Espalhou-se pela noite e pisou seus passos por terrenos esparsos. Soltou o grito das perdidas aflições e perdeu-se por entre as cachaças dos mendigos. Rendidos, seus olhos admiraram as luminárias escuras e as putas ordinárias. Entrou pela primeira porta de bar que encontrou e devagar no balcão se sentou. Pediu uma cerveja gelada e logo viu uma loira delgada. Puxou um papo amigo e seu lábio no lábio dela pediu abrigo. Enxugou o último gole e saiu pela calçada abraçado à misteriosa mulher e à quente madrugada. Ou vice-versa.
em 10.01.2007, by cláudio bettega
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 5:05 PM
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Quero tua saliva
ativa
se misturando
à minha saliva
teu peito
em flor
encostado
a meu peito
Quero teu ácido
fervente
envolvendo
meu falo quente
teu cabelo
perfumado
escorrendo pelo
meu rosto suado
Quero teu gemido
ecoando
meu gemido
teu sentido
de prazer
num espasmo
desoprimido
Quero teu corpo
se fundindo
a meu corpo
no momento
do nosso orgasmo
em 10.01.2007, by cláudio bettega
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 1:00 PM
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Quarta-feira, Janeiro 03, 2007
mais um poeta encontrado nas entranhas curitibânicas, o Mário Alberto Schafer.
BREVE BRISA
Brisa brisa, brisa leve
Nela o vento caminha
Brisa brisa, brisa breve
Seja breve mas seja minha
Que a brisa verta
Num forte vendaval
Vento vento, brisa breve
Essa tarde quis teu mau
Breve brisa, forte vento
Devaste o mundo
E meu tormento
Amo o vento
Odeio a vida
Anseio o tempo
Da partida
Não agüento essa vida
Breve brisa, vento forte
Seja rápida
E traga a morte.
SEM TÍTULO
Por mais rico que seja
Mais sabedoria que tenha
Na sala mais escura veja
E à insignificância me retenha
Não vou achar
Por mais sangue que derrame
Ou lágrimas enxugue
Pelo mundo clame
No universo procure
Não vou achar
Pois que a ferida inflame
Que o sangue não coagule
Que tudo exploda
Do precipício pule
Não vou achar
Poço de tristeza
Que não acaba mais
- Na utopia a certeza?-
Mas já tanto faz...
Não vou achar
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 2:26 PM
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o último poema do ano passado...
Dentro do silêncio
procuro o perdido
tempo
que me faltou
em tempos idos.
Meus olhos
tentam penetrar o
escuro e meus pés,
combalidos,
querem o descanso
merecido.
Me desanimo por
nada encontrar,
solto um grito
indefinido
quebrando o silêncio,
que faz do meu
tempo perdido
um tesouro
protegido.
26.12.2006
... e o primeiro deste ano, by cláudio bettega
Concedo-me a palavra
neste solene momento
em que a poesia nasce
como forte movimento,
determinando que eu
esgarce no papel
meu sentimento.
Atendo seu pedido
e a ela já estou vendido -
minha amiga, minha obra,
minha cura,
poesia maravilhosa,
pura graça pura
01.01.2007
postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 2:21 PM
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