Cláudio Bettega Em Cena

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Terça-feira, Fevereiro 27, 2007




claudio, cara, andando na praia sem rumo, na beira do mar, uma noite
linda,
um céu estrelado e sem nuvens. tive uma inspiraçao, n sei se a
aproveitei
como devia, mas ai vai oq eu consegui:


Teu nome no papel
um pedaço de céu...
é saudade

Teu nome no papel
agora rasgado
pedaço de céu escondido
pelo arranha-céu da cidade

teu nome no papel
desamassado
lembrança boa vem a tona
"o inimigo mora ao lado"

o retrato repousa
na cabeceira da cama
- calado -

teu nome no papel
ferid com ódio
mas colado

a esperança de um futuro
iprevisivél, inesperado
pedaço de céu impossivel
- céu nublado -






essa outra é a letra de um blues enorme q eu fiz, espero q vc goste:

VELHO PENSAMENTO

hoje cedo a chuva foi de sangue
hoje a tarde de suor
inundando toda a rua
com tristeza e discórdia
o sol do seu sorriso
não invade a tempestade
o brilho do teu olho
não adentra na cidade
a esperança agora escoa
pelos boeiros afora
o esgoto esta repleto
de podridão agora
não tem como segurar
esse choro que outrora
se engolia a tardinha
mas que faz-se forte agora
que eu tive a recaida
não sei como sustentar
a alegria que outro dia
me fazia gargalhar
na bebedeira com amigos
você pode blasfemar
fala besteira e piadas
mesmo se não agradar
tocar rock todo o dia
pode até desafinar
mas se bate a tristeza
não tem como desviar
um olhar simples e triste
que insiste em afetar
esse amor que invade o peito
é dificil suportar
isso tudo por um dia
mas eu sinto em lhe enformar
que todo esse sentimento
em ódio irá se transformar
se não tomar muito cuidado
e a saudade não matar
não aguento muito tempo
mais pensando em você
se oque tenho é um pensamento
e nada me faz esquecer
vem de noite ao dia claro
chega tarde a madrugada
some cedo o sol nascente
mas a lua é prateada
o seu corpo claro e quente
alvo do meu desejar
seu labio avermelhado
só pra me desconcentrar
é lindo o teu jeito
calmo e ensinuante
mesmo tendo a pureza
estampada no semblante
te revelo as fraquezas
desse triste ser errante
te explico a beleza
que existe em ser amante
mas se isso não mudar
tudo aquilo que sentia
tudo bem, agora eu
ja te disse oque queria
mas você não pode ouvir
e nem sequer compreendeu
e aquele sentimento
acho que apenas se perdeu
com a dor profunda e forte
que rasgou tudo aqui dentro
mas oque me resta agora
senão um velho pensamento.



claudio, eu sei que é grande, redundante e de rima pobre, mas espero
que vc
goste, abraço e até a proxima


Mário Alberto Schafer



postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 1:54 PM Comments:



Quinta-feira, Fevereiro 08, 2007



Meu amigo ator, dramaturgo e acadêmico de letras Gabriel Dória Rachwal deu seu parecer sobre meu livro de poemas"Busca".


Sentimentos transbordam dos poemas. O aclamado poeta-engenheiro João Cabral de Melo Neto sofreria revoluções intestinais caso pudesse entrar em contato com os poemas de Cláudio Bettega. O eu aparece, sem rodeios, em algo em torno de 99% dos poemas. Sem medo de ser tachado de sentimentalóide o poeta coloca seu coração pra pulsar a menos de um palmo da fuça do leitor. O poeta não faz isso sem se defender, afinal é exposição demais em tempos ferozes como o nosso. Pra chorar e falar despreocupadamente hoje em dia, só mesmo marcando consultas psicoterapêuticas. A defesa que o poeta encontra é a auto-crítica. O livro está recheado de poemas que questionam o seu próprio fazer poético. É possível encontrar, até mesmo, um poema inteiro denegrindo a poesia:

"poesia vadia
pedaço de carne destroçada
detrito-excremento do intestino mental
pilha de palavras bagacentas (...)"


Outra característica dos poemas é trazer o leitor para perto do ato da criação poética. As rimas, muito presentes, vão embalando e fazendo a leitura ser fluida. No meio dessa fluidez o poeta fala sobre como faz, o que faz e para quê faz. Aqui vale a pena citar o poema inteiro, ele ilustra bem essa tensão entre expor-se e, ao mesmo tempo, defender-se:

não estava muito afim
de escrever um poema agora
mas a pena me chama
sentimentos me chamam
a vida me chama
para desovar
verdades
sensações
vontades
expressar o que está escondido
feito pão amanhecido
transformar tudo em arte
poesia que faz parte
do movimento do mundo
do tempo
de cada segundo
abraçar a palavra
compor frases, versos,
desarmar a trava
de conceitos dispersos
plantar beleza
colher maravilhas
pra que enfim eu deixe
de me sentir uma ilha


Os dois últimos versos explicitam/expõem o por quê escrever: o poeta quer se integrar, ainda que a sua maneira, ele busca uma integração. Não quer o estado de ilha e a escritura-catártica do poema parece aliviar o peso incômodo de se sentir uma ilha. Os demais versos falam do como escrever, é o poeta em sua oficina, expondo "o que está escondido". Somos levados a conhecer a intimidade do processo criativo. O poeta se faz acompanhar por seu leitor no ato de escrita. Ato este que sempre privilegia a livre intuição, o sentimento, o sentir, deixando de lado a razão. Um emblema dessa preferência é a negação de formas rígidas e dos metros, preferindo irmanar-se da tradição de poesia marginal. O que não nos impede de encontrar um soneto na página 68 e ver que o verso livre não é um dogma e que se o poeta achar que deve usar uma forma clássica, não verá problemas. As contradições que a razão pode detectar não são levadas em conta. "sentimentos me chamam" é o verso que lemos.
Na página 34 temos um poema que começa de supetão: "vou derramar / a substância / da inconstância". Como vários outros, este poema começa rápido, tem rimas e fluidez, ninguém conseguiria dizer que é um poema racional. No entanto, lá pro fim do poema, parece que um lampejo de racionalidade afeta o eu-lírico que, por um instante, fica reflexivo e duas vírgulas quebram o ritmo embriagado do poema. Por três versos temos um questionamento racional:

"e, enfim, nem
sei porquê
disse tudo isso aí"

Voltando ao ritmo mais fluido o poema já dá uma possível resposta:

"talvez para fazer
poesia
agora
aqui"

Dada a resposta o livro segue em frente. Os obstáculos não têm força para cessar o surgimento de mais versos e poemas. Bettega é pura intuição. Seu senhor são as vontades e as pulsões. Por mais que haja rastro de imperfeição e a razão possa questionar, Bettega faz prevalecer a vontade. Os poemas eróticos mostram bem isso. Não há meias palavras, o desejo aparece com a força do presente do indicativo: "te penetro". É o desejo realizado em tempo real: no tempo da escrita, no tempo da leitura. Enfiar a cara no livro, seja pra ler, no caso dos leitores, ou para escrever, no caso de Bettega, é a chance de não ver a realidade a que um desses "anjos frustrados" (vide terceiro poema) nos destinou, e ter alguns bons momentos em meio às realizações que o papel permite.


postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 1:20 PM Comments:






anoitece;
o grito da angústia
embutido em minha mente
ecoa por minha existência,
dominando ações e sentimentos.
meus olhos latejam, meu corpo treme,
a cabeça inteira sofre.
quero e quero sentir algo poderosamente
mais suave,
que me alimente de um pouco
de alegria;
busco uma reflexão, um inventário de pequenas
felicidades guardadas em alguma lembrança...
tudo em vão.
ajeito-me então no leito e,
assim como lá fora,
anoiteço.


by cláudio bettega, em tempos idos


postado por: CLÁUDIO HENRIQUE FRANCO BETTEGA 10:50 AM Comments:




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